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quarta-feira, 7 de março de 2012

Engenharia da qualidade ao alcance de todos

Não se faz um engenheiro da noite para o dia, mas é possível melhorar a produtividade dos que já estão no mercado, com pequenos investimentos em treinamentos focados

por Mario Guitti*

Uma praxe dos momentos de crise é reduzir investimentos em comunicação e também treinamentos, temas considerados menos prioritários dentro do “core business” das indústrias de bens de consumo. Mas, enquanto a crise Europeia não se reflete com força no mercado nacional (e esperamos que isso não ocorra), o que devemos fazer hoje?

Os otimistas dizem que as crises são passageiras e enfrentam esses períodos sem desespero, mas com planejamento e criatividade para fazer o mesmo com menos ou até mais com menos. Já os pessimistas, encaram os bons momentos como passageiros e tentam se aproveitar ao máximo dele, acreditando que em breve uma nova crise surgirá. Ambos estão certos e errados ao mesmo tempo.

A oscilação de mercado é normal. Uma hora está tudo bem, e de repente, fica ruim. Mas, é possível minimizar os efeitos dos maus períodos, porém, para isso, é preciso de uma nova mentalidade, e esquecer um pouco aquela história de que ‘time que está ganhando não se mexe’. Mexe, sim, para melhorar.

Sou defensor do investimento contínuo em educação, formação específica e atualização profissional; tenho batido forte neste tema, pois vivemos um período em que o capital humano tem se tornado escasso. Já faz tempo falamos de falta de engenheiros para a indústria.

Não se faz um engenheiro da noite para o dia, mas é possível melhorar a produtividade dos que já estão no mercado, com pequenos investimentos em treinamentos focados. Há ainda algumas especializações para quem não dispõe de formação universitária, mas apenas em cursos específicos, como é o caso do tema qualidade.

Tempos atrás, qualidade só se aprendia na prática, mas isso agora mudou. Já existem centenas de milhares de casos de sucessos como exemplos de ferramentas que quando aplicadas corretamente aumentam produtividade e reduzem custos. Nós, do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, nos empenhamos para isso, e formatamos treinamentos específicos para desenvolver nos técnicos e engenheiros automotivos especializações quando o assunto é qualidade.

Em pouco tempo desenvolvemos diversos casos de sucesso. Um deles foram os cursos de Formação EQF – Especialista em Qualidade de Fornecedores, apresentados no ano passado, com público acima do esperado. Um bom sinal, pois demonstra maturidade do mercado, que começa a enxergar a cadeia produtiva como um todo.

O curso de Formação EQF é um treinamento de especialização profissional que amplia o campo de visão para a busca de soluções para os problemas das empresas, quando o assunto é qualidade. Não se limita ao setor automotivo, embora tenha ênfase nele, o que faz com que o valor profissional aumente relativamente.

Outro case foram os treinamentos em VDA 6.3, que também lançamos em 2011, com total respaldo da VDA-QMC, da Alemanha, pois o IQA é o representante oficial da VDA no Brasil. Este foi um investimento que fizemos pois sentimos que o mercado necessitava ampliar conhecimentos sobre as normas VDA, simplesmente porque quem não os tiver, não trabalhará mais com as empresas alemãs no setor automotivo. Em 2011, tivemos um bom público, e agora, este ano, nos preparamos para receber mais profissionais interessados.

A novidade para 2012 é o novo treinamento em Seis Sigma que o IQA acaba de desenvolver. Tal como tudo que fazemos, terá foco no setor automotivo, e será ministrado em turmas abertas, e apresentará uma grande inovação, queé a possibilidade não apenas de formação, mas também a certificação do profissional através do Instituto. Durante o treinamento o participante desenvolverá em paralelo seu projeto, garantindo o máximo de resultado através dessa qualificação.

Nossa aposta para 2012 é que todos sejam otimistas e estejam preparados para uma eventual crise, que possa vir novamente algum dia. O melhor remédio contra crise é o investimento em especialização da mão de obra, pois quanto mais se busca a melhoria contínua dos processos e produtos, mais distante ficam os maus períodos.

*Mario Guitti é superintendente do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva


domingo, 16 de outubro de 2011

Competitividade e qualidade: uma questão de educação

Há a necessidade de aprimorar os investimentos em Educação, e não somente com abertura de vagas, mas na formação das pessoas

por Mario Guitti


Todos têm falado do aumento da alíquota do IPI para veículos importados de países que não fazem parte do Mercosul ou que não têm acordo bilateral de comércio com o Brasil, como China, Coréia, Alemanha, entre outros. A medida foi acertada? Não sabemos ainda. Ao mesmo tempo, fala-se muito em competitividade e proteção à indústria nacional, dois assuntos que precisam e devem ser analisados com maior profundidade.


Competitividade tem de existir, mas só há competitividade se todos os players atuarem no mesmo mercado. Aumentar impostos impacta no consumidor; com certeza ele será o maior prejudicado em toda esta história, pois diminuirão as opções de compras compatíveis com o bolso dele. Existem, porém, outras formas de aumentar a competitividade, e esta é uma lição que governo e empresários devem fazer todos os dias, no trabalho e em casa.


O governo precisa trabalhar para melhorar o chamado ‘Custo Brasil’, com melhorias em infraestrutura e reforma tributária. Isso é fato mais do que discutido nas reuniões empresariais. Ele tem feito isso, ainda que a passos não tão rápidos quanto gostaríamos, mas, já começou. Porém, o buraco é mais embaixo.


Há a necessidade de aprimorar os investimentos em Educação. Exemplos não faltam. A Coréia colhe hoje os frutos dos trabalhos nas décadas dos anos 70 e 80, quando decidiu priorizar a educação. Este é um ponto que precisa ser aperfeiçoado, do nível Básico ao Superior, e não somente com abertura de vagas, mas na formação das pessoas.


Muitas vagas não significam necessariamente mais profissionais capacitados. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, existem mais faculdades de Direito no Brasil (1.240) do que no resto do mundo (1.100)! A informação que existe é de que se não houvesse o exame da Ordem dos Advogados, o número de profissionais atuantes, que é de 800 mil, passaria dos 3 milhões. E por favor, nada temos contra esses profissionais!


No caso dos cursos de Engenharia, os institutos de ensino no Brasil abrem anualmente 180 mil vagas. Depois do vestibular, 150 mil são preenchidas e destes, 60% desistem nos primeiros anos. É preciso aumentar o percentual de alunos que terminam o curso. Para se ter ideia, o valor investido por aluno aqui na USP é na ordem de R$ 30 mil por ano. Nos Estados Unidos, R$ 450 mil ou até mais, como nas grandes escolas. Isso para que ele se forme engenheiro.


Na Europa e Estados Unidos é comum a associação entre academia e empresas para fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico. As empresas levam os temas e os problemas para esses centros que desenvolvem as pesquisas em busca de soluções e são remunerados tanto pela empresa quanto pelo governo. Esta é uma forma interessante das empresas, da universidade (estudantes, pós-graduados, mestres e doutores) e do governo de participarem deste processo. Isso já existe, porém precisa ser largamente ampliado no Brasil.


Esta é uma fórmula para melhorar o nível tecnológico no Brasil. Não vale apenas para o Superior, é algo que pode ser aplicado em todos os níveis. Temos hoje cerca de 8 milhões de desempregados e, ao mesmo tempo, 8 milhões de vagas disponíveis, mas os números não fecham, pois quem está desempregado não atende às exigências dos cargos.


Assim como fez a Coréia, podemos nos tornar competitivos o bastante, independente de alíquotas ou outros recursos artificiais, mas para isso temos de investir na base, que é a educação da nossa sociedade.


Mario Guitti é superintendente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quando estudar é preciso

A maior aproximação do IQA com a VDA trará uma série de benefícios para a indústria brasileira.

por Mário Guitti

Na última semana tivemos a oportunidade de receber no Brasil o responsável pela área de controle de treinamento e licenças nacionais e internacionais da VDA QMC (Centro de Gerenciamento de Qualidade da Associação Alemã da Indústria Automotiva), Thomas Junggeburth. O executivo nos trouxe uma notícia muito importante: as montadoras alemãs começam a exigir a presença de pelo menos dois engenheiros especialistas em normas VDA internamente e também nos fornecedores.

As regras VDA são muito utilizadas na Alemanha. Apesar do esforço mundial na criação de um único código, como a ISO/TS 16.949 para a indústria automotiva, os alemães nunca abandonaram a VDA. Além de editar normas para o setor, a entidade representa no país europeu o mesmo que a Anfavea e o Sindipeças são para os brasileiros. Porém, lá, montadoras e fabricantes de autopeças estão juntas, em uma única associação.

Assim, a passagem de Junggeburth pelo Brasil foi bastante intensa e proveitosa, pois reafirmou a parceria com o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, representante exclusivo no Brasil dos treinamentos, tradução e distribuição dos manuais da VDA. Fomos escolhidos pela nossa especialidade técnica e relevância no setor automotivo como agentes da qualidade. Afinal, fomos criados pela Anfavea, Sindipeças, Sindirepa e outras entidades do setor para isso.

A maior aproximação com a VDA vai possibilitar uma série de benefícios para a indústria brasileira: como acesso facilitado às normas e material publicado em português. O IQA também passa a ser o responsável por levar à Argentina os conhecimentos da norma alemã.

Nos dias em que esteve no Brasil, Junggeburth treinou nossos especialistas que passaram a ser instrutores certificados das normas VDA e, com isso, estão prontos para ministrar os treinamentos, tal como são realizados na Alemanha. Para a indústria, a vantagem é que, a partir de agora, quem quiser implementar os sistemas de gestão da qualidade baseados nas normas VDA conta com suporte local para treinamentos, e sem a necessidade de enviar profissionais para a Europa para receber treinamento exclusivo. O custo ficou menor.

E por que investir no padrão VDA? Para atender ao cliente. As montadoras alemãs passarão a exigir isso. Apesar de haver uma norma genérica, cada montadora criou seus requisitos específicos para atuar junto com a ISO/TS 16.949. As alemãs utilizam a VDA, que também serviu de base para a ISO/TS 16.949. E, como bem definiu Junggeburth, a indústria automotiva alemã é uma das grandes mestres em qualidade.

Assim, estamos preparados para esta nova demanda. Estudar é preciso, ainda mais em um mundo competitivo. Já faz algum tempo que “bato na tecla” da necessidade de se investir cada vez mais na competência humana da nossa, pois não adianta ser o sexto maior produtor de automóveis do mundo, se nossos engenheiros e tecnólogos não acompanham o ritmo do crescimento.

Fabricar é só uma parte. A outra é projetar e desenvolver tecnologia. Se nossa preocupação ficar parada somente na capacidade produtiva, podemos ficar para trás. Temos uma engenharia que se destaca em criatividade e o quanto mais a desenvolvermos, melhores serão as chances de mantermos nossa posição frente à concorrência dos países que hoje se destacam pelo fator da competitividade de seus produtos.

Fomentar a qualidade da nossa mão de obra é, portanto, um diferencial competitivo e temos que aproveitar este bom momento da indústria brasileira em relação ao resto do mundo, pois se não o fizermos agora, pode ser que não tenhamos outra chance.

O IQA possui inúmeros treinamentos de qualificação profissional para a cadeia automotiva. Conheça o calendário de treinamentos 2011 em nosso site (www.iqa.org.br) ou envie-nos um e-mail: treinamentos@iqa.org.br.


Mário Guitti é superintendente do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva. iqa@iqa.org.br