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terça-feira, 14 de junho de 2011

Capacitação é diferencial competitivo

O principal desafio no mundo que vivemos hoje em dia é justamente a inovação, algo que só se torna possível por meio de pessoas capacitadas

por Mário Guitti

São basicamente três os diferenciais competitivos que uma empresa pode ter – produto, processo e serviço. Em cada um deles, entretanto, a mão de obra está diretamente envolvida. Ser competitivo no mundo globalizado significa continuar existindo e sobressair, de algum modo, aos olhos dos clientes e consumidores.

O desafio que se apresenta diante da magnitude dessa tarefa é justamente a inovação, algo que só se torna possível por meio de pessoas capacitadas. Em bom português, capacitar-se é tornar-se apto, habilitar-se, inteirar-se. Condições cada vez mais difíceis de alcançar nesse universo competitivo, veloz e cheio de novidades em que vivemos.

Façamos um exercício: se implantarmos o mesmo sistema de gestão da qualidade em duas empresas distintas e uma obtiver mais sucesso que a outra, o que pode estar gerando a diferença? É com certeza a mão de obra. Você consegue conceber a ideia de criatividade e tecnologia sem profissionais bem formados? Nesse aspecto, temos no Brasil um longo caminho a percorrer, um desafio enorme a enfrentar e uma oportunidade gigantesca na preparação da nossa mão de obra.

Consideremos os cerca de 38 mil engenheiros que o país forma a cada ano – apenas 11% vão para o setor automotivo, contra os 650 mil profissionais chineses que entram anualmente no mercado, os 220 mil formados pela Índia, e os 80 mil pela Coreia, países de economias emergentes e agressivos quando o assunto é ganhar espaço em negócios. No Brasil, apenas um a cada 800 brasileiros é universitário; 4,6% de todos os universitários são engenheiros, e 54% dos que entram em um curso de engenharia desistem no 1º ou no 2º ano.

Não adianta termos produtos, se não tivermos preparação, pois desse modo não teremos futuro. No que tange ao setor automobilístico, especialidade do IQA, temos expressado essa preocupação lançando cursos como oportunidade de aperfeiçoamento em toda a cadeia. Em nosso contato permanente com as empresas em sua busca pela certificação da qualidade para seus processos, produtos e serviços, sentimos na pele as dificuldades que se apresentam todos os dias aos profissionais.

Na área da qualidade, o déficit de preparação costuma ser ainda maior, pois é diretamente proporcional à velocidade com que as novas exigências do mercado se impõem, com toda a sua força e abrangência. Na perspectiva do IQA, ajustar os treinamentos para zerar as carências nos diversos elos da cadeia automotiva, é um exercício contínuo de superação, especialmente nos setores de aftermarket, permeados pela alta rotatividade de sua mão de obra.

Vivemos um Brasil que cresce à taxa de 6% ao ano, onde a profissão de engenheiro está em alta e estimativas falam na necessidade de 60 mil novos profissionais por ano. Longe de ser simples, a solução para o preenchimento de vagas nas escolas brasileiras passa pela cooperação entre o setor empresarial e a universidade, pelo treinamento para os recém-formados, entre outras ações, para que possamos formar profissionais capacitados e prontos para o mercado.

A capacitação é urgente e necessária para o País, e ainda há tempo de evitarmos um apagão de competências, para que a roda da prosperidade continue a nos favorecer.

Mário Guitti é superintendente do IQA–Instituto da Qualidade Automotiva

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quando estudar é preciso

A maior aproximação do IQA com a VDA trará uma série de benefícios para a indústria brasileira.

por Mário Guitti

Na última semana tivemos a oportunidade de receber no Brasil o responsável pela área de controle de treinamento e licenças nacionais e internacionais da VDA QMC (Centro de Gerenciamento de Qualidade da Associação Alemã da Indústria Automotiva), Thomas Junggeburth. O executivo nos trouxe uma notícia muito importante: as montadoras alemãs começam a exigir a presença de pelo menos dois engenheiros especialistas em normas VDA internamente e também nos fornecedores.

As regras VDA são muito utilizadas na Alemanha. Apesar do esforço mundial na criação de um único código, como a ISO/TS 16.949 para a indústria automotiva, os alemães nunca abandonaram a VDA. Além de editar normas para o setor, a entidade representa no país europeu o mesmo que a Anfavea e o Sindipeças são para os brasileiros. Porém, lá, montadoras e fabricantes de autopeças estão juntas, em uma única associação.

Assim, a passagem de Junggeburth pelo Brasil foi bastante intensa e proveitosa, pois reafirmou a parceria com o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, representante exclusivo no Brasil dos treinamentos, tradução e distribuição dos manuais da VDA. Fomos escolhidos pela nossa especialidade técnica e relevância no setor automotivo como agentes da qualidade. Afinal, fomos criados pela Anfavea, Sindipeças, Sindirepa e outras entidades do setor para isso.

A maior aproximação com a VDA vai possibilitar uma série de benefícios para a indústria brasileira: como acesso facilitado às normas e material publicado em português. O IQA também passa a ser o responsável por levar à Argentina os conhecimentos da norma alemã.

Nos dias em que esteve no Brasil, Junggeburth treinou nossos especialistas que passaram a ser instrutores certificados das normas VDA e, com isso, estão prontos para ministrar os treinamentos, tal como são realizados na Alemanha. Para a indústria, a vantagem é que, a partir de agora, quem quiser implementar os sistemas de gestão da qualidade baseados nas normas VDA conta com suporte local para treinamentos, e sem a necessidade de enviar profissionais para a Europa para receber treinamento exclusivo. O custo ficou menor.

E por que investir no padrão VDA? Para atender ao cliente. As montadoras alemãs passarão a exigir isso. Apesar de haver uma norma genérica, cada montadora criou seus requisitos específicos para atuar junto com a ISO/TS 16.949. As alemãs utilizam a VDA, que também serviu de base para a ISO/TS 16.949. E, como bem definiu Junggeburth, a indústria automotiva alemã é uma das grandes mestres em qualidade.

Assim, estamos preparados para esta nova demanda. Estudar é preciso, ainda mais em um mundo competitivo. Já faz algum tempo que “bato na tecla” da necessidade de se investir cada vez mais na competência humana da nossa, pois não adianta ser o sexto maior produtor de automóveis do mundo, se nossos engenheiros e tecnólogos não acompanham o ritmo do crescimento.

Fabricar é só uma parte. A outra é projetar e desenvolver tecnologia. Se nossa preocupação ficar parada somente na capacidade produtiva, podemos ficar para trás. Temos uma engenharia que se destaca em criatividade e o quanto mais a desenvolvermos, melhores serão as chances de mantermos nossa posição frente à concorrência dos países que hoje se destacam pelo fator da competitividade de seus produtos.

Fomentar a qualidade da nossa mão de obra é, portanto, um diferencial competitivo e temos que aproveitar este bom momento da indústria brasileira em relação ao resto do mundo, pois se não o fizermos agora, pode ser que não tenhamos outra chance.

O IQA possui inúmeros treinamentos de qualificação profissional para a cadeia automotiva. Conheça o calendário de treinamentos 2011 em nosso site (www.iqa.org.br) ou envie-nos um e-mail: treinamentos@iqa.org.br.


Mário Guitti é superintendente do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva. iqa@iqa.org.br