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domingo, 18 de julho de 2010

Fuja do efeito manada


(O artigo abaixo foi escrito em abril de 2009, mas ainda faz plenamente sentido)

Diante da crise econômica mundial, vemos, quase que diariamente, empresas anunciarem milhares de demissões. A avalanche que começou ano passado, parece ainda descer montanha abaixo, carregando inúmeros empregos de diversos setores, inclusive do automotivo. Para alguns dirigentes, a justificativa para tantas demissões só é uma: adequação ao novo cenário econômico. No entanto, o futuro, ao menos do setor automotivo aqui no Brasil, acena para uma retomada. Já se sente uma grande melhora nas vendas e na produção. E o que fazer quando o cenário voltar a melhorar se o quadro de funcionários foi reduzido? As empresas terão fôlego para produzir o que o mercado demanda?

Para alguns especialistas, as empresas que demitiram precipitadamente no início da crise vão se arrepender das decisões, porque já faltam carros no mercado. Para estes especialistas, quem dispensou sem pensar não vai conseguir retomar com agilidade e acabará ficando para trás, pois a economia atravessa ciclos e a tão falada crise uma hora vai passar. Neste ponto, as empresas que tomarem as decisões mais adequadas agora serão justamente as mais beneficiadas.

Então, olhemos a crise por outra ótica, não a do desespero, mas pelo ângulo agora da oportunidade. Você deve estar se perguntando: tem espaço para oportunidade nestes tempos? Sim. A crise gera uma situação peculiar: as diferenças entre as empresas diminuem porque o mercado se retrai e a produção enxuga. Neste cenário, todas as empresas estão lutando para sobreviver e isso não significa frear investimentos estratégicos. No entanto, a chance para sair bem da crise é investir de maneira inteligente e focada para, num cenário de retomada, ganhar mais espaço no mercado. Uma destas maneiras é investir em treinamento, em qualificação profissional.

Investir no capital humano é imprescindível para a continuidade e o sucesso das empresas. No começo do ano, a Circuit City, segunda maior cadeia dos EUA de lojas de produtos eletrônicos, chegou a um acordo com as autoridades americanas para liquidar suas operações e fechar as portas. A rede de lojas estava lutando contra o gasto menor dos consumidores e o aperto do crédito. Uma das “saídas” foi reduzir 17% de seus trabalhadores nos Estados Unidos. No entanto, a empresa optou por demitir os funcionários mais antigos. A decisão foi equivocada porque a empresa perdeu em conhecimento e qualificação e, além disso, teve que depender apenas dos que ficaram, inevitavelmente menos experientes, e sem possibilidade de investimento em treinamentos. Foi uma decisão que certamente contribuiu para que a empresa fechasse as portas.

Do que é feita uma empresa, se não de pessoas? Nenhuma companhia pode existir investindo somente em equipamentos e infra-estrutura, mesmo em época de crise. O treinamento deve ser visto como um investimento e não custo, portanto, não deve ser uma opção de corte neste momento.

Os cursos devem ser parte da rotina de uma empresa assim como pagar a conta de luz. Se são feitos somente na hora em que a empresa precisa, ela perde espaço para quem está preparado e isso pode significar ser tarde demais no mundo dos negócios. Isso porque a tecnologia avança hoje em dia em velocidade acelerada e as pessoas devem se preparar continuamente para manter sua relevância e produtividade.

Em 2008, quando o mercado estava muito aquecido, houve grande procura por treinamentos bem específicos e de curta duração. E num ano em que se tem menos dinheiro disponível, como 2009, esta tendência tende a se acentuar. No Instituto da Qualidade Automotiva, o número de participantes nos cursos focados, de curta duração, cresceu cerca de 20% em 2008, em comparação com 2007. E tudo indica que esse crescimento vai continuar.

No entanto, a idéia não é que as empresas saiam por aí investindo em treinamentos sem um planejamento prévio. Elas devem elaborar uma estratégia, enxergar lacunas dentro dos seus processos, ver quais são suas necessidades e potenciais de negócios. Além disso, “casar” corretamente o perfil do profissional com o curso a ser realizado. Já quem tem seu capital humano treinado e capacitado, pense se a demissão é, de fato, a melhor saída. Não olhe somente o presente, mas sim o passado, no que você investiu, e o futuro, no que o conhecimento destas pessoas pode fazer pela sua empresa.

Ao enxergar oportunidades como essas, empresas inteligentes agem estrategicamente e por isto ganham mais espaço no mercado. Se hoje a maioria passa por um processo de retração, quem se destaca não é quem faz igual. A isso damos o nome de “reflexo de manada”, ou seja, se faz igual, vai para o mesmo lugar. A vez é de quem faz diferente.

domingo, 11 de julho de 2010

A China e os outros

E depois de tanta novela, o Google informa que renovou sua licença na China (http://bit.ly/deuIVW). No maior mercado de internet do mundo (mais de 400 milhões de usuários), a continuidade do maior site de buscas global (porém que não lidera no País) não chega a ser uma grande surpresa - de alguma forma um acordo provavelmente sairia.

No setor automotivo, a China também continua tendo destaque absoluto. Crescimento de 60,9% em vendas de veículos no acumulado até maio, em comparação a 2009 (o 2º lugar, EUA, cresceu 17,5%). Até o ano passado, havia a expectativa de que o país asiático alcançaria a posição de mercado líder mundial até 2015, mas com o fechamento dos números do ano passado ela já se tornou, com 13,6 milhões de veículos vendidos.

Esse crescimento acelerado convive lado-a-lado, ou mesmo é responsável, por problemas graves enfrentados atualmente. Greves em fornecedores de autopeças, exigindo reajustes salariais e mais direitos trabalhistas, interromperam no final de junho a produção de Toyota, Nissan e Honda.  Apenas 1% das cidades chinesas têm a qualidade do ar considerada em níveis seguros, segundo a União Européia. Os rios chineses são os mais poluídos do mundo, e o Banco de Desenvolvimento Asiático afirma que a diferença entre oferta e procura chegará a 40% no continente, em termos de abastecimento de água.

O artigo de Kevin Brown, correspondente regional do Financial Times para a Ásia, de 1º de julho ("Populate and perish", http://bit.ly/ct61S2) explana exatamente sobre os problemas enfrentados pela China atualmente, e sua conclusão é inevitável: se os governos e a própria sociedade não transformarem consideravelmente sua forma de pensar e agir, toda essa expectativa em relação ao futuro do País poderá ser, no mínimo, bastante dificultada. Alguém aí enxerga semelhanças com um certo país aqui da América do Sul?

Parcerias produtivas

O encontro anual dos mais poderosos executivos de mídia e tecnologia nas montanhas de Idaho (http://bit.ly/c9CYb7) já foi palco de grandes mudanças, como a aquisição da NBC pela Comcast. Em 2010, as expectativas giram em torno da possível venda do MySpace e do canal ABC.

Encontros de empresários costumam ser bastante prolíficos, pela troca de ideias, experiências e oportunidades entre os mesmos. No Brasil, o SEBRAE (http://www.sebrae.com.br/) e a FACESP (http://www.facesp.com.br/) costumam estimular essas situações, sendo que nas próximas semanas o IQA terá a satisfação de participar, em regiões tão diversas como Rondonópolis - MT, Florianópolis - SC e Fernandópolis - SP (serei o palestrante nas duas últimas).

No setor automotivo, os eventos da SAE Brasil (congresso e seminários, http://www.saebrasil.org.br/), Autodata (http://www.autodata.com.br/) e Automotive Business (http://www.autodata.com.br/) reúnem periodicamente os principais dirigentes da cadeia para discutir e apontar caminhos para o futuro. A SAE, que conta em seu "board" com alguns desses executivos, também reúne-se anualmente em alguma região do País para confraternização e expandir sua atuação regional.

Até mesmo a briga entre grandes notáveis pode propiciar resultados extraordinários. Newton, Gates, Darwin, todos tiveram em sua vida atritos com pares que foram fundamentais para suas essenciais inovações. O livro "Rivalidades Produtivas", de Michael White, é uma leitura deliciosa que descreve muitas dessas histórias.

O inusitado mesmo, no encontro desse ano de Idaho, é a cobertura totalmente "Ilha de Caras" que muito blogs e revistas vêm dispensando ao assunto... Será esse o nosso futuro até em ocasiões teoricamente sérias?

sábado, 10 de julho de 2010

CONAR

O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) nasceu de uma ameaça: no final dos anos 70, o governo federal pensava em sancionar uma lei criando uma espécie de censura prévia à propaganda. Se a lei fosse implantada, nenhum anúncio poderia ser veiculado sem que antes recebesse um carimbo “De Acordo” ou algo parecido. Funciona hoje em dia, de forma saudável e legal, como um tribunal independente para controle da atividade publicitária.


Todos os meses eles publicam em seu website (http://www.conar.org.br/) decisões e casos avaliados, muitos deles bastante curiosos envolvendo as mais diferentes situações e denúncias.
 
Vale a pena ver, e o setor automotivo costuma aparecer com bastante frequência (descubra que propagandas não condizem exatamente com a realidade...).

Os automóveis e a internet

Ao ler o último artigo de Alexandre Hohagen, presidente do Google para AL, na Folha ("Inovação simples e óbvia", http://write4.net/23g) inevitavelmente comecei a exercitar que outras possibilidades estão (ou deveriam estar) sendo desenvolvidas no setor automotivo através das ferramentas disponíveis pela internet.

Particularmente penso sempre até quando ainda pensaremos dessa forma, pois a tendência é de que a internet torne-se algo tão inata e "invisível" quanto a energia elétrica, por exemplo. Um termo como "conexão à internet" será algo que minha filha (completando exatos 48 dias hoje) provavelmente considerará pré-histórico. Difícil será o equipamento que não aproveitará os benefícios da rede mundial, assim como ela própria expandirá sua presença em nossa vida ao máximo.

Resolvi então pesquisar e descobri algumas ideias muito bacanas. A Ford já apresentou a evolução do sistema Sync, que agrega em um painel multifuncional navegação GPS, Twitter, telefone celular, internet sem fio, rádio, tocadores de CD e DVDs, comando de voz, telas que obedecem ao toque, notebook, iPhone, iPod, controle do ar-condicionado. Em pouco tempo até a manutenção do veículo será aprimorada (tecnologia já utilizada na Formula 1), com sensores no motor do carro que podem enviar sinais para os revendedores, que assim fazem o monitoramento do motor e possíveis ajustes à distância. Segundo a SAE Brasil, em dois ou três anos até os carros mais populares já oferecerão algumas dessas funcionalidades.

Apesar de ainda bastante discutida, a ampliação da publicidade (e aumento de receitas) em veículos também é uma possibilidade avaliada pelas montadoras para o futuro - a Peugeot Espanha tornou pública meses atrás sua intenção de se tornar uma operadora de telefonia móvel, por exemplo. Mensagens poderiam ser enviadas no painel ou GPS, considerando a posição geográfica do automóvel (ex.: um restaurante próximo, por volta das 12h00, pode enviar um anúncio pra todos que estiverem pela região). Como colocar isso em prática sem ferir a privacidade dos motoristas ou até colocá-lo em situações de risco são alguns dos desafios.

Algumas outras oportunidades passaram pela minha cabeça. Os rádios nos veículos poderão facilmente ser substituídos pelas transmissões por internet, propiciando que você escute ou assista o que quiser em qualquer parte do mundo (no artigo Hohagen diz que o Google poderia transcrever a transmissão de um jogo de texto pra voz também - ideia mais mirabolante, mas senão sua empresa não participaria do exemplo). No presente "Big Brother" que vivemos, câmeras nos veículos de corporações como polícia e bombeiros (ou até civis, que poderiam ser remunerados por isso?) poderiam ajudar a sociedade a monitorar sua própria segurança, talvez até com transmissão aberta 24 horas. Postos de gasolina próximos terão seus preços pesquisados quando o motorista desejasse (ou precisasse urgentemente...).

Bem, a internet (e a tecnologia em geral) abre cada vez mais um mundo de opções para todos os segmentos da sociedade, e a indústria automotiva, que sempre foi referência em tecnologia, nada indica que deixará de ser.

Referência adicional: "The Future of the Automotive Industry: Challenges and Concepts for the 21st Century" (Ralf Landmann, Heiko Wolters, Wolfgang Bernhart, and Holger Harsten).

terça-feira, 6 de julho de 2010

Início de atividades

Olá,

O principal objetivo (desafio?) deste blog é mostrar caminhos de exploração do marketing como uma possibilidade viável de alavancagem do seu negócio, com foco no setor automotivo e relacionamento com a gestão da qualidade.

A ênfase na palavra viável logo acima vem de encontro a uma diretriz que perseguirá todos nossos comentários, notícias e artigos: soluções de baixo custo, que de nenhuma forma significam baixos resultados - muito pelo contrário, aliás.

Obrigado pela sua visita, e conto com sua colaboração também para enriquecer as discussões e dividir conhecimento entre tantos que possuem o mesmo interesse.

Um abraço,

Alexandre Xavier L. Martins