terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Política Nacional de Resíduos Sólidos já é uma realidade

 Algumas percepções de empresários e executivos do setor automotivo já são claras, mas muitas "lições de casa" ainda precisam ser providenciadas

A lei que criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, já em vigência no País, vem ampliando ainda mais as discussões sobre o ciclo de vida dos produtos no setor automotivo, com destaque para as questões relacionadas com logística reversa e responsabilidades de cada elo da cadeia.

Visitei nas últimas semanas diversas empresas do setor automotivo em São Paulo, de oficinas a montadoras, avaliando o estágio atual das adaptações necessárias em consequência da PNRS. Algumas percepções de empresários e executivos do setor são claras:
  • A fiscalização vem aumentando no segmento de reparação (oficinas, concessionárias, centros automotivos), porém mantém-se estável nas indústrias, e ainda aparentemente insuficiente em ambos os casos.
  • A capacidade e competência da fiscalização é discutível, o que impacta na qualidade de sua atuação.
  • Apesar de assunto constante na mídia, o consumidor ainda é pouco sensível aos apelos ambientais em suas decisões de compra.
  • A PNRS possui muitos requisitos com interpretação duvidosa, sendo um exemplo importante a logística reversa em matéria-prima importada - como viabilizar essa questão com fornecedores de outros países?
  • Não é percebida mudança na postura da maior parte dos fabricantes de componentes automotivos em relação aos resíduos das oficinas (e o ciclo de vida como um todo), mesmo com suas claras responsabilidades pelas mudanças na legislação.
  • Muitos constam como certo o adiamento do prazo legal previsto para as adequações, o que colabora com a inação das empresas.
Hoje também tive a oportunidade de oferecer uma entrevista para o jornal Reparação Automotiva (Editora Präna), que será provavelmente publicada em sua próxima edição. O tema também era relacionado a aspectos ambientais, mais especificamente sobre dicas para oficinas mecânicas. Resumo abaixo os pontos principais que destaquei:

Documentação

Muitas oficinas não possuem sua condição formal devidamente estabelecida, com alvará de funcionamento, licença ambiental e outros documentos obrigatórios devidamente regularizados. Essa condição gera um risco grave, pois acaba tendo um efeito equivalente a uma batida traseira: independentemente de sua gestão ambiental, a empresa já é considerada culpada em caso de fiscalização.

Legislação Aplicável

A oficina deve atentar-se aos requisitos legais exigidos em âmbito federal, estadual e municipal. Vale ressaltar que quando tratamos de legislação, não é possível alegar desconhecimento - como cidadãos, temos obrigação de conehecê-la e aplicá-la. Para isso a empresa precisa procurar apoio competente, interno ou terceirizado, que a suporte na implantação e manutenção de um sistema ambiental.

Tendências

Muitas boas práticas ambientais já são consagradas, mas ainda não exigidas legalmente. Isso não significa que as empresas não possam aplicá-las, podendo posicionar-se na vanguarda e obter diversos benefícios: preparar-se para exigências futuras, diferenciar-se da concorrência e ter um papel importante no aculturamento da sociedade, gerando reconhecimento dos consumidores, com vantagens em negócios e (por que não?) praticando cidadania.

Por fim, comprometer-se com os aspectos ambientais não apenas é uma condição essencial para sobrevivência no mercado atual, mas fundamentalmente uma demonstração de respeito com o mundo que deixaremos para nossos filhos e netos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Norma ABNT regulamentará em 2012 pastilhas e patins de motocicletas




Por meio da norma ABNT 14.958-5 categoria L (veículos de duas rodas), o INMETRO regulamentará, em 2012, os materiais de atrito produzidos no Brasil para pastilhas e patins de freio de motos, com a exigência dos mais severos requisitos de desempenho e durabilidade.

Ainda não existe uma data específica para a norma entrar em vigor, mas o presidente da TMD Friction do Brasil e também conselheiro do Sindipeças e do IQA, Feres Macul Neto, estima que isso aconteça em seis meses, no mais tardar. O IQA – Instituto da Qualidade na Indústria Automotiva – é quem fornece suporte para vários itens das regulamentações do INMETRO, incluído os de freios.

O importante para Feres é que esta regulamentação salvará muitas vidas no crescente mercado de duas rodas, onde já existe uma moto para cada 18 brasileiros. E adianta que sua empresa, líder mundial na produção de lonas e pastilhas para sistemas de freio, há muito já atende e extrapola as exigências da futura regulamentação.

Destaque-se o processo do patim de freio moldado da TMD - patenteado (PI 9001700-5) em 2000 - gera melhor integridade estrutural e uniformidade do material de atrito sobre a superfície do patim de alumínio. Sua configuração ainda reduz o risco de “desplacamento”, além de eliminar vibrações e ruídos normais na tradicional configuração colada.

Com amplo leque de produtos para sistemas de freio de motos de qualquer cilindrada, o Grupo TMD Friction, no Brasil fabricante dos produtos Cobreq, possui três centros de pesquisa e desenvolvimento de materiais de atrito. Um deles encontra-se na Alemanha, onde a empresa é fornecedora de produtos originais para as motos BMW.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

2º Seminário de Qualidade Automotiva

Com o objetivo de incrementar a qualidade nos serviços automotivos prestados a população, além de divulgar as tecnologias disponíveis e acessíveis a toda a sociedade em termos de qualidade na reparação automotiva em forma de certificação a ASERV, com o apoio do SIMECS e SEBRAE, estrá realizando o 2º Seminário da Qualiddae Automotiva da Serra Gaúcha.

No dia 04/11 às 19h20 está programa a cerimônia de entrega de certificados IQA para 10 oficinas da Serra Gaúcha, e às 20h30 será realizada uma palestra técnica sobre certificação, ministrada pelo coordenador de serviços automotivos do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva, José Palacio.

Data: 04/11/2011 - 13h às 22h e
05/11/2011 - 8h às 12h 30min

Local: Auditório da CIC - Caxias (ìtalo Victor Bersani, 1134)

Informações e inscrições: ASERV (54)3217.4641 - aserv@aserv.com.br





segunda-feira, 31 de outubro de 2011

IQA alerta para necessidade de certificação do Arla 32

Conforme a portaria Inmetro nº 139, de 21 de março de 2011, o agente redutor líquido de NOx automotivo não deve ser comprado sem o selo do Inmetro

release IQA divulgado em out/2011

São Paulo, outubro de 2011 – O IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, organismo de certificação acreditado pelo Inmetro, criado e dirigido pela Anfavea, Sindipeças, Sindirepa e outras entidades do setor, alerta consumidores, reparadores automotivos, varejistas, distribuidores e produtores de Arla 32 (agente redutor líquido de NOx automotivo) que o produto somente pode ser comercializado no Brasil com o selo de conformidade do Inmetro (N. do Blog: O IQA é um organismo de certificação acreditado pelo Inmetro para certificação do ARLA 32).

“Trata-se de uma segurança que o consumidor tem ao adquirir o produto, de que ele tem qualidade e está conforme aos requisitos normativos, tal como já ocorre com pneus, componentes GNV, vidros automotivos, capacetes e outros componentes”, afirma Sergio Kina, gerente técnico do IQA.

De acordo com a portaria do Inmetro, a certificação vale tanto para o produto comercializado envasilhado ou a granel, e deve atender aos requisitos especificados na norma ISO 22241 (Partes 1 a 4). Assim, além do fabricante do produto, quem envasa o produto também deve realizar o procedimento de certificação. “Isso vale para importadores e empresas que compram o produto a granel e vendem com marca própria”, esclarece Kina.

Arla 32 – A partir do ano que vem, todos os veículos novos e zero Km comercializados no Brasil, movidos a diesel, deverão atender às normas da legislação Conama Proconve 7 (equivalente ao Euro 5), que estabelece reduções no nível de emissões de gases poluentes. Para atender às exigências da norma, uma das soluções adotadas pelas montadoras foi o sistema SCR (sigla em inglês para Redução Catalítica Seletiva), que utiliza uréia (base do Arla 32).

Neste sistema, além de utilizar óleo diesel com baixo teor de enxofre, o S-50 (50 partes por milhão (PPM); para se ter ideia o diesel comum tem 1.800 PPM), os veículos serão equipados com um tanque adicional para o Arla 32, que será injetado no sistema de escape para converter os gases nocivos (óxidos de nitrogênio – NOx) em vapor de água e nitrogênio.

Qualidade sem aumento de custo

Esta é uma situação que vai mexer com o mercado como um todo, da oficina ao fabricante de autopeças e também ferramentas e equipamentos automotivos

por José Palacio

As empresas do aftermarket automotivo estão em constante evolução, acompanhando as tendências de mercado, principalmente quando o assunto envolve legislações ambientais. A exemplo da cidade de São Paulo, que desde 2008 tem um programa ativo de inspeção ambiental veicular, outras regiões do estado de São de Paulo e também outros estados brasileiros começam a desenhar os projetos de verificação de emissões de gases poluentes emitidos por veículos automotores.

Esta é uma situação que vai mexer com o mercado como um todo, da oficina ao fabricante de autopeças e também ferramentas e equipamentos automotivos, e o melhor caminho é se preparar para esta nova demanda de serviços. E nada melhor do que a Certificação IQA para saber se o negócio está rentável ou não, oferecendo serviços de qualidade para que o cliente saia satisfeito, sem necessidade de retorno de garantia.

Recentemente estive em uma oficina que entrou em contato conosco pois quer começar o trabalho de pré-inspeção veicular. Em algumas localidades, as empresas de reparação e comércio de autopeças estão formando grupos para se fortalecer e oferecer aos clientes um diferencial de mercado.

Muitos estão entendendo que agir em grupo é mais fácil do que individualmente, pois conseguem ratear custos, trocar informações e as vezes até partilhar o uso de alguns equipamentos de custo elevado. Existem formas de buscar qualidade total sem aumentar os custos do negócio, pois algumas entidades oferecem subsídios para as empresas que querem evoluir. Mas, para isso é preciso estar preparado e ter em mente que mudanças devem ser feitas.

Ao formar um grupo, os líderes buscam consultores que avaliam o quanto as empresas participantes precisam investir para conquistarem os mesmos níveis organizacional e técnico, a partir de um padrão, um nível básico que deve ser o ponto de partida. Uma dica é utilizar a Certificação IQA, pois esta é a proposta da certificação de serviços: um padrão básico de atendimento, para oferecer ao cliente um serviço de qualidade assegurada.

Uma prática do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva é a não indicação de consultores, e nem a realização de consultorias, para que isso não prejudique o processo de auditoria e certificação. Porém, realizamos o treinamento de consultores, a partir das exigências da certificação, que passa a ser um especialista no assunto e, assim, pode orientar os participantes dos grupos sobre as práticas que ditam a certificação.

Dessa forma, se você já participa de algum grupo de oficinas ou lojas varejista e atacado, e busca um diferencial no mercado, saiba que pode contar com o know how do IQA, bastando para isso fazer contato e solicitar mais informações a respeito, para que você possa surpreender seus clientes, cada vez que eles forem ao seu estabelecimento, pois nos dias de hoje, atender bem e com qualidade já não é mais um diferencial e sim uma obrigação, ultrapassando suas expectativas.

José Palacio é coordenador de serviços automotivos do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O nascimento de um novo aftermarket


Seminário da Reposição Automotiva atrai público surpreendente e deixa uma grande dúvida no ar: é preciso criar um novo modelo de negócios para este mercado, mas qual?

por Cléa Martins e Patrícia Larsen (publicado originalmente no portal Mercado Automotivo, out/11)

Sabe aquela máxima de que não se mexe em time que está ganhando?

Esqueça. Nesta última edição do Seminário da Reposição Automotiva, que aconteceu no dia 13 de setembro, no Centro Cultural Fiesp – Federação das Indústriasdo Estado de São Paulo –, em São Paulo, os dirigentes das principais entidades e das empresas mais tradicionais deste setor jogaram por terra a famosa teoria popular.

Segundo eles, apesar do ótimo momento pelo qual passa o aftermarket brasileiro, é preciso que o mercado encontre novas formas de fazer negócios se quiser evitar a acomodação cada vez mais comum do seu setor.

“Evidentemente que somos bons no que fazemos e que ainda temos pontos a melhorar, mas vejo que ainda fazemos negócios como na época do meu pai, focados apenas no preço. Temos que ter mais conhecimento dos nossos clientes e das suas necessidades.

O negócio tem que ser feito na base do ganha-ganha, mas para isso temos que buscar um outro modelo de relacionamento e gestão”, afirmou Ana Paula Cassorla Mallusardi, diretora de Marketing e Compras da Pacaembu Autopeças.

Ana Paula foi uma das integrantes da mesa no painel Visão Estratégica da Reposição Automotiva no Brasil, discussão que reuniu, além dela e do mediador, Antonio Carlos Bento, vice-presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e coordenador do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), executivos como Edson Brasil, vice-presidente da Delphi Soluções em Serviços para América do Sul, Alberto Ruffini, diretor de Aftermarket e Marketing da TRW para América do Sul, Douglas Lara, diretor de Mercado de Aftermarket da ZF do Brasil, José Carlos Di Sessa, diretor Comercial da Car Central, Rodrigo Carneiro, diretor Comercial da Distribuidora Automotiva, e Antonio Carlos de Paula, diretor e gerente-geral da Pellegrino Distribuidora de Autopeças.

A horizontalização de uma cadeia que, pelo menos teoricamente, sempre se orientou de forma vertical, respeitando a ordem de fornecimento fabricante, distribuidor, varejista, oficina e, por fim, consumidor final, foi o tema que trouxe à tona a necessidade que esses empresários sentem de mudança: “Esse é um momento de transição e provavelmente novos modelos de negócio surgirão. Nós todos estamos disputando mercado e vai sobreviver quem fizer a melhor leitura dos acontecimentos”, disse Ruffini, que admitiu: “O difícil é saber qual a escolha certa e por isso todos sofremos, ninguém quer errar”.

Para Rodrigo Carneiro o fato de se ter um mercado com preços em queda mesmo quando há falta de peças é sinal de que muita coisa precisa ser repensada: “Depois de tantos anos de trabalho, estamos mais fortes. Mas, ao repensar nossos negócios, talvez devêssemos partir de pontos de vista menos extrativistas para um mais associativista”, disse à plateia. Ainda segundo ele, o objetivo da cadeia como um todo deveria estar concentrado no dono do carro: “O consumidor final não conhece nosso produto. Fica frustrado quando tem que reparar o veículo e não pode gastar com outras coisas. Temos que chamar a atenção de todos os elos da cadeia mostrando onde investir – o mecânico em capacitação, o lojista em vendas, deixando o estoque para o distribuidor, afinal ele existe para isso, e, por fim, as fábricas deveriam investir em treinamento e programas de conscientização”.

Segundo Douglas Lara, as empresas do setor precisam investir na construção de valores que possam redefinir não apenas o setor, mas as práticas que o regem: “Lembro de já termos discutido em anos anteriores como enfrentaríamos uma ou outra crise ou problema, e desta vez os ventos sopram favoráveis. No entanto, isso por si só não vai nos levar ao sucesso.

Nosso desafio hoje não é mais o de conseguir entregar ou não uma determinada peça, lógico que pode existir lacunas, mas esse problema já foi superado. Nosso grande desafio hoje é o de como agregar valor ao nosso negócio. Não estamos conseguindo fazer isso com nossa estrutura. Por isso temos que parar e pensar: o que nos trouxe até aqui é o que vai nos levar adiante?”.

Para Edson Brasil, seja qual for esse novo modelo de negócios, é importante que se leve em conta a força da cadeia da reposição: “Somos responsáveis pela manutenção de cerca de 80% da frota de veículos em circulação no País. E isso não acontece no resto do mundo. Mas não podemos achar que isso vai se manter assim para sempre. Os concessionários estão fazendo o trabalho deles, enquanto nós estamos trabalhando para vender mais barato. Encontramos peças de fabricantes tradicionais com preços com diferenças de 30% entre elas, o que não cabe mais para o nosso mercado”.

Além de discutir a estruturação da cadeia, o grupo ainda debateu sobre a importância da capacitação profissional, o aumento de demanda, a capacidade de atendimento de novos e crescentes mercados, como o de motocicletas e de veículos importados, e o investimento constante das concessionárias no setor de reposição e serviços. “Temos um cenário positivo e de muitas oportunidades e são os desafios que permitem que a gente aprimore toda nossa competência.

A expansão conseguida pelos distribuidores ao longo dos últimos anos em todo o País é uma prova disso, ou alguém conhece algum outro segmento que apresente tamanha capacidade de logística?”, exemplificou José Carlos Di Sessa. Mas não foi só a necessidade de mudar velhos hábitos ou de se repensar os negócios da reposição que deram tom ao debate promovido no Seminário deste ano. O bom momento vivido pelo País e principalmente pelo setor de reposição não deve parar por aqui. “Se a gente fizer a coisa certa e trabalhar em gestão, temos tudo para continuar crescendo. O mercado está aquecido e deve continuar assim. Só no ano passado, faturou R$ 20 bilhões, isso sem considerar pneus, vidros e outros componentes”, finalizou Antonio Carlos de Paula.

Outras importantes questões

Enquanto um ditado parece ter caído por terra no Seminário deste ano, um outro se manteve firme – de que informação é a melhor ferramenta de trabalho. Não foi à toa que Raul Velloso, consultor econômico e colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, foi convidado para participar do evento.

Sua palestra, Cenário Econômico Brasileiro: Perspectivas e oportunidades, mostrou aos presentes que o mundo está cada vez mais integrado e que não existem mercados, nem setores, totalmente alheios aos impactos econômicos mundiais. Além disso, Raul apresentou um comparativo bastante interessante sobre a atual conjuntura econômica brasileira e a de demais países. “Temos vivenciado uma época em que a indústria de transformação tem caído, enquanto os setores de serviços crescem. Tudo isso tem sido propiciado pelo nosso governo que é anti-investimento e pró-consumo, ao contrário do governo chinês, por exemplo”, afirmou.

Se o panorama passado por Velloso fez com que a plateia do evento entendesse melhor alguns reflexos da importação, também mostrou que é preciso cuidar do mercado interno. E a palestra de Alfredo Carlos Orphão Lobo, da diretoria de qualidade do Inmetro, mostrou que o setor tem agido nesse sentido.

O selo Inmetro de autopeças, que deve disciplinar a comercialização dos itens automotivos no Brasil, é uma das medidas mais aguardadas pelo setor no que diz respeito ao combate não apenas de itens piratas e falsificações, mas como empecilho da entrada no mercado nacional de produtos de péssima qualidade. “Para certificarmos uma peça usamos como base normas de qualidade já existentes no País, como as da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ou no exterior, como as do tipo ISO. E, a partir da implantação do programa, que hoje está em período de adequação, podemos não apenas barrar a entrada de produtos não certificados no País como também apreender produtos sem selo de conformidade ou interditar e multar empresas que trabalhem com esses itens”, explicou Lobo.

Se de um lado a indústria tem investido na valorização de seus produtos, de outro, a certificação também parece ser a bola da vez no setor de serviços. Pelo menos é o que mostrou no evento Paulo Rech, especialista em desenvolvimento industrial do Senai. “Os veículos mudaram e os profissionais devem ser outros. Não é possível que existam mais mecânicos de ouvido, como se dizia antes. A eletrônica embarcada está cada vez mais presente nos novos carros e exige diagnósticos precisos. Lembra o mecânico do Fusca, que consertava o carro inteiro? Isso não existe mais, hoje temos técnicos especialistas em diferentes áreas. A certificação é uma maneira que teríamos de garantir ao consumidor um bom serviço”.

Ao defender a normatização do trabalho dos reparadores Rech apresentou o Sistema Senai de Certificação de Pessoas que, para o segmento, tem como referência a Norma ABNT 15681, que orienta sobre a qualificação do mecânico de manutenção de veículos rodoviários automotores. Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo), um dos grandes incentivadores da normatização da categoria, também se apresentou no evento. Segundo ele, os veículos evoluem ano a ano, o que complica os processos de manutenção. “Estamos num momento muito positivo de nossa história e, da mesma forma que me preocupo com alguns problemas, também me alegro em saber que temos nossas oficinas cheias, que as pessoas confiam na gente. Precisamos fazer isso valer, nos valorizar. Valorizar nossa mão de obra. Acredito que a certificação é um caminho”, diz Fiola. (N. do Blog: A Certificação do Profissional é fundamental, porém deve ser aliada à Certificação da Empresa, na qual o IQA oferece um reconhecimento do sistema de gestão da empresa, que é fundamental para o aproveitamento e resultados adequados dos profissionais envolvidos, com o máximo de benefícios para o consumidor final).

Em sua palestra o dirigente do Sindirepa-SP destacou ainda a importância do meio ambiente hoje dentro das oficinas. “Convivemos de perto com as exigências ambientais, como a do correto descarte de óleo lubrificante, e muitos de nós não perceberam ainda que, por outro lado, o meio ambiente é hoje um dos nossos grandes geradores de demanda. Precisamos saber usar isso a nosso favor e orientar nossos clientes sobre a importância da prevenção, seja ambiental ou de segurança”. (N. do Blog: Aqui também é importante ressaltar a possibilidade de reconhecimento de empresas de reparação automotiva que possuem um sistema de gestão ambiental através do IQA, apoiando-as no atendimento à legislação aplicada, o Selo Verde IQA-CESVI).

E por falar em prevenção, o engenheiro Olímpio Melo Álvares Jr., da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) explicou por que São Paulo e outros Estados e cidades no País ainda não implantaram seus programas de inspeções de veículos: “O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), através da Resolução nº 418, determinou um prazo e a forma para a implantação da inspeção ambiental nos vários estados da federação, seguindo o que já ocorre nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nós do Governo do Estado de São Paulo já estamos com tudo pronto e com o programa em fase de licitação há muito tempo. Não foi feito ainda porque esbarramos primeiro na resolução do Contran, de regulamentação dos itens de segurança, e depois na implantação da inspeção municipal de São Paulo”.

O evento

O Seminário da Manutenção Automotiva é considerado pelos representantes das principais entidades e empresas do setor o mais importante encontro anual do segmento. “Mais uma vez nos encontramos nesse evento que se consolida como o mais importante deste setor”, cumprimentou os presentes na abertura do evento Renato Gianinni, presidente da Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças) e do Sicap (Sindicato do Comércio Atacadista de Peças e Acessórios para Veículos de São Paulo).

Junto a ele, abriram a 17ª edição do Seminário, Elias Mufarej, diretor geral da Fiam para a América Latina e conselheiro administrativo do Sindipeças, Antonio Fiola, Antonio Carlos Bento, Álvaro Pereira, primeiro tesoureiro do Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo) e José Nogueira, diretor do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva):

“Esse evento é um momento de reflexão e acho que essa platéia reflete o interesse e a preocupação crescente do nosso mercado com qualidade, de produtos ou serviços. E refletir sobre o aspecto da qualidade faz com que a gente não tema ninguém. Quem faz o Brasil somos nós”, afirmou Nogueira.

Realizado pelo GMA, que integra as principais entidades do setor – Sindipeças, Anda, Sicap, Sincopeças e Sindirepa –, o evento é organizado pelo Grupo Photon. Nesta edição, presidida por Elias Mufarej, o encontro reuniu cerca de 500 profissionais, entre representantes de todos os elos da cadeia de reposição e até de montadoras: “O mercado brasileiro está cada dia mais interessante e cabe a cada um de nós tornar nossos produtos e nossas empresas mais competitivos e atraentes ao consumidor.

As entidades que nos representam trabalham para isso; neste ano, por exemplo, o evento mostra os frutos de trabalhos que vêm sendo feitos e que devem beneficiar todo o setor, como os programas de certificação dos componentes pelo Inmetro e dos reparadores pelo Senai”.

Ao final do evento, dois iPads 2, oferecidos pela Car Central (Roles), foram sorteados ao público presente.

Acompanhe as novidades no site do evento: www.seminarioautomotivo.com.br


Veja a galeria de fotos completa no site: www.seminarioautomotivo.com.br/fotos.html

domingo, 16 de outubro de 2011

Competitividade e qualidade: uma questão de educação

Há a necessidade de aprimorar os investimentos em Educação, e não somente com abertura de vagas, mas na formação das pessoas

por Mario Guitti


Todos têm falado do aumento da alíquota do IPI para veículos importados de países que não fazem parte do Mercosul ou que não têm acordo bilateral de comércio com o Brasil, como China, Coréia, Alemanha, entre outros. A medida foi acertada? Não sabemos ainda. Ao mesmo tempo, fala-se muito em competitividade e proteção à indústria nacional, dois assuntos que precisam e devem ser analisados com maior profundidade.


Competitividade tem de existir, mas só há competitividade se todos os players atuarem no mesmo mercado. Aumentar impostos impacta no consumidor; com certeza ele será o maior prejudicado em toda esta história, pois diminuirão as opções de compras compatíveis com o bolso dele. Existem, porém, outras formas de aumentar a competitividade, e esta é uma lição que governo e empresários devem fazer todos os dias, no trabalho e em casa.


O governo precisa trabalhar para melhorar o chamado ‘Custo Brasil’, com melhorias em infraestrutura e reforma tributária. Isso é fato mais do que discutido nas reuniões empresariais. Ele tem feito isso, ainda que a passos não tão rápidos quanto gostaríamos, mas, já começou. Porém, o buraco é mais embaixo.


Há a necessidade de aprimorar os investimentos em Educação. Exemplos não faltam. A Coréia colhe hoje os frutos dos trabalhos nas décadas dos anos 70 e 80, quando decidiu priorizar a educação. Este é um ponto que precisa ser aperfeiçoado, do nível Básico ao Superior, e não somente com abertura de vagas, mas na formação das pessoas.


Muitas vagas não significam necessariamente mais profissionais capacitados. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, existem mais faculdades de Direito no Brasil (1.240) do que no resto do mundo (1.100)! A informação que existe é de que se não houvesse o exame da Ordem dos Advogados, o número de profissionais atuantes, que é de 800 mil, passaria dos 3 milhões. E por favor, nada temos contra esses profissionais!


No caso dos cursos de Engenharia, os institutos de ensino no Brasil abrem anualmente 180 mil vagas. Depois do vestibular, 150 mil são preenchidas e destes, 60% desistem nos primeiros anos. É preciso aumentar o percentual de alunos que terminam o curso. Para se ter ideia, o valor investido por aluno aqui na USP é na ordem de R$ 30 mil por ano. Nos Estados Unidos, R$ 450 mil ou até mais, como nas grandes escolas. Isso para que ele se forme engenheiro.


Na Europa e Estados Unidos é comum a associação entre academia e empresas para fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico. As empresas levam os temas e os problemas para esses centros que desenvolvem as pesquisas em busca de soluções e são remunerados tanto pela empresa quanto pelo governo. Esta é uma forma interessante das empresas, da universidade (estudantes, pós-graduados, mestres e doutores) e do governo de participarem deste processo. Isso já existe, porém precisa ser largamente ampliado no Brasil.


Esta é uma fórmula para melhorar o nível tecnológico no Brasil. Não vale apenas para o Superior, é algo que pode ser aplicado em todos os níveis. Temos hoje cerca de 8 milhões de desempregados e, ao mesmo tempo, 8 milhões de vagas disponíveis, mas os números não fecham, pois quem está desempregado não atende às exigências dos cargos.


Assim como fez a Coréia, podemos nos tornar competitivos o bastante, independente de alíquotas ou outros recursos artificiais, mas para isso temos de investir na base, que é a educação da nossa sociedade.


Mario Guitti é superintendente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva